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A falácia do Omnichannel em Social Media

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  • A falácia do Omnichannel em Social Media
Postado em SAC 2.0 Por Thamires OliveiraPostado em 28 de agosto de 201823 de fevereiro de 2021Marcado Artigo, Omnichannel, Social Media

 

Para alguns setores do mercado, a visão única e integrada do consumidor em múltiplas plataformas ocorre sem esforços. Na prática, a realidade é outra.

O termo Omnichannel entrou para o rol dos memes corporativos como sinônimo de integração de canais de contato com o consumidor. O tema já é antigo. Primeiro foram varejistas como a Best Buy nos EUA, que temendo o avanço do e-commerce do Walmart, criou o conceito de Customer Centricity em meados de 2003. A integração de canais permitia uma visão integrada para o cliente Best Buy, estando ele no ponto de venda ou na loja on-line.

O conceito evoluiu e hoje as redes sociais são o principal foco da experiência omnichannel.  O desejo: permitir uma visão única e multicanal do consumidor em redes sociais distintas como Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.

A realidade, porém, é diferente: a visão multicanal e integrada do consumidor não é algo mágico ou que possa ser conquistado sem um esforço considerável.

Vamos analisar um caso prático. O consumidor João da Silva fez um cadastro no LinkedIn com seu e-mail pessoal, pois é através dele que deseja receber dados de oportunidades de trabalho e ofertas de emprego. João também criou perfis no Twitter e no Facebook. No Twitter, João usou seu e-mail corporativo, pois ele também administra o perfil da empresa que trabalha, além do perfil pessoal.

João então reclama de uma marca de telefonia nas redes sociais. E, usando um software omnichannel, a telecom espera que João seja reconhecido em todas as redes automaticamente, como mágica. Infelizmente, o processo não é tão simples quanto parece.

A quantidade de homônimos de João da Silva torna impeditivo o reconhecimento pelo nome. Cada rede social então, por ter os dados do consumidor João da Silva, poderia reconhecê-lo e entregar esta informação para seus parceiros, plataformas como Buzzmonitor, certo? Errado. Cada rede social mantém uma API própria (sua interface de dados para parceiros). E geralmente uma API não conversa ou compartilha dados do consumidor com a outra. Na maioria delas, o e-mail não é um dado disponível.

Ah, mas fica fácil, apenas podemos usar e-mail.  É natural que o e-mail seja o caminho mais fácil para reconhecer o consumidor. Porém, como citado, usamos diferentes e-mails de acordo com os usos que fazemos das redes sociais. E estes e-mails não são compartilhados com as plataformas.

Para saber que João da Silva é o mesmo no LinkedIn, Twitter, Facebook, Instagram e YouTube é preciso que o consumidor entre em contato conosco através destes canais, compartilhe seus diversos e-mails conosco e nos informe que é a mesma pessoa em todos eles. A partir daí o operador de atendimento faz uma conciliação de dados na plataforma de atendimento, informando para o software que, apesar dos diferentes e-mails (e redes sociais) trata-se da mesma pessoa.

Além de ser decisão do consumidor compartilhar ou não seu e-mail com as plataformas de social media, vale lembrar que estas não compartilham estes dados entre plataformas.

Em resumo, o e-mail precisa ser compartilhado no momento do atendimento ao consumidor. Este dado, assim como CPF e outros, precisa ser registrado num banco de dados do cliente e é preciso haver uma conciliação no nível do usuário da plataforma, informando ao software que o João da Silva é o mesmo em todos os canais, sejam eles mídias sociais ou outros.

O conceito de Omnichannel em Social Media existe, mas não é tão mágico quanto parece. É preciso criar regras de conciliação de contatos e usar uma plataforma que permita esta unificação de visão. Algo complexo, caro, demorado, mas possível.


Alessandro Lima

CEO da E.life e fundador do Buzzmonitor e da SA365

 

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